Fool Moon, Jim Butcher

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Fool Moon é o segundo livro da série The Dresden Files, escrito ainda quando Jim Butcher não sabia que seria publicado (e ganharia rios de dinheiro com isso). Não achei tão bom quanto o primeiro justamente pelo motivo que o livro costuma ser elogiado: adrenalina demais.
Como o nome dá a entender, o tema aqui são lobisomens. Não sei se é porque tenho um personagem lobisomem mais contemporâneo, achei os do Butcher ultrapassados (pelo menos uma parte). Pese aí o fato de o livro ser de 2001 (em oito anos o Butcher lançou 9 livros dessa série de fantasia urbana e mais 4 de uma de fantasia tradicional, ô que inveja), Butcher até se esforça para acrescentar novidades ao mito. São vários os tipos por aqui, nada que se pareça com RPG, aquele papo de clãs, raças, etc. Infelizmente, adiantar esse dossiê wherewolf aqui no Skavis seria estragar metade da trama. Então, o que posso dizer é que tem lobisomem para todos os gostos.  Dito isso, fica a pergunta: do que estou reclamando afinal? Eu explico. Por mais variados que sejam os lobisomens na superfície, a abordagem é a clássica. O cara que carrega uma maldição mais do que um dom e que não tem controle sobre os seus atos. A fera que repentinamente escapa de dentro do humano. A fera que guardamos dentro de nós. Aquele papo todo que estou cansado de ouvir e que é quase metafísico de tão presente. Isso faz o Butcher retomar o duelo interior de Harry Dresden, o lado negro da força. Essa coisa de lembrar que a magia é tentadora cansa um pouco, não pelo tema em si, mas porque o Dresden é super bonzinho, nunca deixaria ninguém na mão. Ele é mostrado assim o tempo inteiro, apesar do passado negro ainda não revelado inteiramente. A boa notícia é que o duelo interior acontece só uma ou duas vezes, justamente nos momentos em que a magia no ar está descontrolada.
O livro se divide em duas partes. Na primeira quem comanda é a investigação. Vários corpos destroçados sempre perto da lua cheia. Serão lobisomens de verdade? Um só? Será um grupo  de bandidinhos chamado Streetwolves simulando garras em seus ataques para assustar os rivais? Por que um dos seguranças do mafioso mais poderoso da cidade foi morto? Um jeito meio psicopata de ser? Perguntas.

Harry e Murphy (a policial que no futuro será uma grande amiga, mas que aqui ainda duvida dele) seguem investigações paralelas que se esbarram em vários momentos. Quem também está na jogada é o FBI. Para piorar, Murphy está sofrendo pressão graças ao resultado do livro anterior. Rola aquela intriga policial que nos acostumamos a ver no cinema. Tem sempre alguém querendo ferrar o outro. Uma boa sacada foi continuar em Fool Moon a saga do mafioso Marcone. A relação entre Marcone, Murphy e Dresden me pareceu em White Night uma das melhores coisas da série. Nesse ponto, a relação já adquire complexidade pelo lado de Marcone. Só falta mesmo que a confiança entre Murphy e Dresden desencante.

A segunda parte começa com o grande pesadelo. Tudo de mais terrível que você imaginou era verdade. A partir daqui o rush de adrenalina não pára. É lobisomem atrás de lobisomem, morte atrás de morte e o Dresden sofrendo de um tipo de impotência (a série é bem humorada, esqueceu?) É outra mania que Butcher não larga. As cenas de ação são muito longas. Se eu canso só de ler, imagino os personagens. Aliás, o Dresden aqui apanha um bocado. Como ele mesmo diz, as aves estão para os velociraptores assim como os lobos estão para os lobisomens. Ou seja, lobisomem não é boneco de pelúcia e o estrago é grande.

No final, tudo se resolve dentro do possível. Mas é aquela história. Quando o escritor cria um inimigo forte demais, ele precisa se esforçar em dobro para resolver a história. Jim Butcher soube plantar durante a trama todas as peças que usaria mais adiante. Alívio. Nada de deus ex-machina estilo Stephen King para terminar o livro. Até o que parece repetitivo subitamente faz sentido. Ainda assim, achei cansativo. Um meio termo entre a investigação didática da primeira parte e o horror movie da segunda teria caído muito bem!

Para encerrar, é nesse livro que Dresden começa a insinuar que algo maior está acontecendo. A impressão é de que as peças do primeiro e do segundo se juntarão mais adiante na figura de um grande mago negro. Mal posso esperar.

~ by cericn on December 8, 2008.

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